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Histórico


Era pré Védica
- 7000 a 4500 a.C.


"A civilização Védica do Indu-Sarasvati não é somente a mais antiga do planeta; era também a maior civilização da alta antigüidade, muito maior do que a Suméria, a Assíria e o Egito juntos. Pelo que sabemos no final do terceiro milênio a.C., essa civilização estendia-se por uma área de mais ou menos 750.000 kilometros quadrados".
Georg Feuertein

Até agora foram explorados 60 dos 25.000 sítios arqueológicos conhecidos, os maiores são: Mohenjo-Daro, Harappa, Ganweriwala, Rakhigarhi, Kalibangan, Dholavira e a cidade portuária Lothal.

Há pouco tempo escavações arqueológicas no Baluquistão Oriental (Paquistão) trouxeram a luz uma cidade do tamanho de Stanford na Califórnia, datada de meados do ano 7000 a.C.- Mehrgarh.

A Civilização do Vale do Indo, também denominada como cultura Harappiana ou Dravida, teve o seu apogeu entre 3500 a 2000 aC. A civilização do vale do Hindu ocupava uma área geográfica que se estendia do Vale do Indo ao Vale do Ganges, descendo até a costa da cabeceira do mar de Oman, na atual fronteira entre Irã e Paquistão, continuando até o Golfo de Cambay e chegando bem próxima da moderna Mumbay (Bombay). Dentro desta área existiam comunidades formadas de pequenas aldeias de camponeses, cidades de porte médio com portos para navegação fluvial ou marítima e grandes capitais como Harappa e Mohenjo Daro.

Estudos arqueológicos mostraram que essa é a mais antiga civilização e que é o berço da civilização da Suméria e Babilônia, alguns autores falam que a Civilização do Vale do Indu, Suméria e Babilônia formavam uma única civilização. A ligação entre elas são sugeridas por selos e sinetes encontrados nas três regiões.

As ruínas do vale do Indo foram encontradas por Johm e Wiliam Brunton em 1856, responsáveis pela construção da estrada de ferro das Indias Orientais, parte dos tijolos das ruínas foram utilizados na construção da estrada de ferro. Somente sessenta anos mais tarde iniciaram os estudos arqueológicos. Foram desenterradas duas grandes capitais: Mohenjo Daro e Harappa. Segundo os pesquisadores Banerji e Sahni, as cidades eram meticulosamente planejadas, estendendo num plano de xadrez matemático, com ruas e avenidas de até 14 m. de largura que corriam de norte a sul e de leste a oeste. As casa eram construídas com sólidos tijolos de barro cozido, ligados com argamassa de gesso, sendo em sua maioria confortáveis e com dois andares, quartos, banheiros, cisterna, cozinha, dispensa, sala de estar, pátio interno, água canalizada e sistemas de esgoto. Uma característica é que as casas somente tinham abertura para os pátios internos, as construções que ficavam nas esquinas dos cruzamentos tinhas as paredes arredondadas, e segundo os pesquisadores, era para facilitar a visão. Os celeiros, existentes em bairros públicos, são construídos com engenhoso sistema de isolamento e ventilação para armazenagem de produtos por longos períodos, alguns pesquisadores comparam estes celeiros com bancos nacionais no qual o cereal serviria como moeda de troca.

Em Mohenjo Daro foi encontrado um grande banho público, salões para reunião e ambientes que podem ter sido usados para práticas religiosas ou algo semelhante. Mohenjo Daro abrigava pelo menos 35.000 pessoas, o governo parece ser centralizado e de estrutura sacerdotal, mas nenhum templo foi identificado, foram encontrados representações simbólicas que sugerem algum tipo de devoção ou pensamento filosófico. Os sinetes (selos de pedra sabão em alto relevo) possuem representações que podem ser identificadas com Divindades Hinduístas, um destes selos retrata um ser em posição de siddasana ou samanasana rodeado de quatro animais que foi identificado como Pasupati (O Senhor das feras) ou Rudra (Shiva), outra estatueta representa um homem com o olhar entre os olhos (Nasagra Drishtya). Um grande numero de sinetes representam o culto ao feminino, o culto a Deusa-Mãe. Foram encontrados além dos utensílios de cozinha e toalete pintados a mão, dados e peças de xadrex, moedas (as mais antigas de todas conhecidas na Ásia), jóias de prata, ouro e pedras esculpidas.
Segundo o arqueólogo, Sir John Marshall, no vale do hindu havia o culto a ‘Grande Deusa-Mãe’, sendo às vezes representada por estatuetas de figuras femininas grávidas, a maioria nuas, com gargantilha alta e ornamento na cabeça. O deus masculino é identificado como Shiva, sentado com as plantas dos pés tocando uma na outra (uma postura de Yoga), foram encontradas muitas figuras de pedra do falo e da vulva, . . . que apontam para o culto do linga e da Yoni representando Shiva e Shakti (sua consorte). Até hoje Shiva é reverenciado como deus da fertilidade, o deus do falo, ou linga. O touro Nandi o carrega.

Mehrgarh - 7000 à 5500 a.C. Esta cidade neolítica, estava ao longo dos rios Indo e Sarasvati (já secos), estima-se que sua população fosse de 20.000 pessoas, além de ter sido um grande centro de importação e exportação, foi também um centro de criação e inovação tecnológica. Os habitantes já cultivavam algodão, produziam grande quantidade de objetos de cerâmica, estatuetas de terracota. A lingua de origem era o Sânscrito (proto brahmi) e os manuscritos datam de 5500 aC.

Harapa - 5500 à 2600 a.C.- Harappa é também considerada outra "capital",mas tinha algumas diferenças, como o fato de o celeiro estar localizado fora da cidade, pois a proximidade com o rio Ravi permitia que toda a vizinhança transportasse por via fluvial os gêneros para serem estocados. O tradicional banho ritual dos hindus é refletido pelos intrincados sistemas de fornecimento de água de Harapa, assim como um organizado sistema de coleta de lixo.

Dwaraka - Era uma cidade-porto. O nome Dwaraka, em sânscrito significa portal , esse porto-cidade era uma porta de entrada para estrangeiros no continente indiano. As ruínas da antiga cidade Dwaraka foram encontrados sob o mar após os recentes estudos oceanográficos perto da moderna cidade do templo-Dwarka. Essa cidade é citada diversas vezes no Mahabharata.

David Frawley diz:

"A cidade de Dholavira, um sítio Harappiano em Kachchh, foi revelado como uma das maiores cidade portuárias do mundo antigo, datando talvez de uma data anterior a 3000 a.C. Dholavira é localizada no que é hoje um deserto, algumas milhas distante do mar, e sua habitação apenas faria sentido devido a sua proximidade de onde teria sido o delta do rio Sarasvati. Em Dholavira, curiosos pilares de mármore foram achados, marcando provavelmente uma entrada para visitantes marítimos. Note que no Rig Veda, Varuna, o Deus Vedico do mar, é associado com grandes pilares.

Estão errados os estudiosos que aceitam agora a teoria da migração - Romila Thapar e outros já que ignoram a importância do rio Sarasvati nos textos Vedicos, apesar das dúzias de referências Vedicas quanto ao seu tamanho e localização.”


Era Védica
– 4500 a 2500 a.C.


Era em que surgiram os quatro Vedas, os grandes Rishis do passado (sábios visionários) habitavam o vale do hindu as margens do rio Sarasvati (falado nos quatro Vedas).

Em 3100 a.C. o rio Yamuna mudou o seu curso e deixou de desaguar no Sarasvati em 2300ª.C. O Sutlej que era o maior afluente do rio Sarasvati também passou a desaguar no Ganges e em 1900 aC o rio Sarasvati secou, e o povo Védico e Arianos (falavam Sânscrito), eram um único e mesmo povo que aí viviam, tiveram que migrar para o leste da India (às margens do rio Ganges).

O Fim da Era Védica foi marcado pela guerra do Mahabharata 3102 aC. que coincide com o inicio do Kali Yuga (falado nos puranas , tantras, sastras...)

A estrutura literária do Hinduísmo é dividido em dois grandes blocos conhecidos como Shruti e Smriti.

O termo Shruti representa tudo aquilo que foi ouvido (intuído) e catalogado pelos sábios nos quatro livros principais do Hinduísmo: Rig, Sama, Yajur e Atharva Veda.

O termo Smriti representa um conjunto de escrituras secundárias, ou interpretações dos ensinamentos dos Vedas, feitas pelos Rishis (sábios) a fim de atingirem mais facilmente o homem comum.


SHRUTI


Os videntes védicos recebiam as suas visões sagradas como recompensa de um árduo trabalho, de muita asceses e de uma profunda aspiração à iluminação espiritual. Viam a si mesmos como filhos da luz (Rig Veda 9.38.5) e tinham o coração voltado para a realização da Luz celestial, ou do supremo Ser-Luz (Rig Veda 10.36.3).

Os quatro Vedas nos falam de rituais de adoração e manipulação das forças da natureza, especulações filosóficas e técnicas de meditação para o auto conhecimento e unificação com o divino.

Cada Veda é composto de Samhita, onde encontramos os Mantras (hinos) e rituais; Brahmana e Aranyaka, onde estão as explicações dos hinos e rituais; Upanishad, que são comentários e especulações filosóficas em torno da identidade cósmica entre Brahman (absoluto) e Atma (o ser individual); kalpasutras, são textos que codificam e regulamentam a realização de rituais.


VEDAS:


O termo Vedas provém do sânscrito, cuja raiz “vid” significa “sabedoria” “conhecer a Sabedoria Divina”, por isto os Vedas são traduzidos como Sabedoria Divina ou Suprema.

“Os Vedas são considerados, por todos os eruditos Orientais e Ocidentais, como a mais antiga de todas as escrituras do mundo e a mais sagrada das obras sânscritas conhecidas. Foram escritos em um sânscrito tão antigo, tão diferente do idioma atual, que não existe outra obra semelhante na literatura de esse “irmão mais velho de todos os idiomas conhecidos”. Max Muller

Rig Veda - 5000 à 4500 a.C.

É uma coleção de 1028 hinos (Sukta), divididos em dez livros (Mandala), nos quais encontramos épicos, lendas antigas, encantamentos, mitos, regras de comportamento social e religiosos, poesias etc. nele aparecem muitas variações de linguagem devido a variação cronológica e diversidade de autores.

O Rig Veda é a base de todas as concepções filosóficas do solo indiano. Contém as primeiras perguntas que o homem fez em relação a criação, à natureza do universo e de sua própria função existencial.

Sama Veda - 2600 a. C.

Contém uma coletânea de melodias (Mantras) cantadas pelos sacerdotes da classe Udgatar, durante as oferendas sacrificiais. Estes hinos reverenciam uma bebida chamada Soma. È composto de duas partes: Arcita com 585 cantos, classificados conforme o ritmo ou os deuses aos quais se referem; Utthararcika com 400 cantos de três estrofes em geral, agrupados segundo a ordem dos principais sacrifícios.

Yajur Veda - 2400 a.C.

Contém formulas que os sacerdotes da classe Adhvaryu murmuravam nos ritos de sacrifício.

Existem duas versões do Yajur Veda. A primeira, conhecida como Negra, é a mais antiga, chamada assim porque suas formulas estão mescladas e sem ordenação clara, foi copilada pelas escolas Taittrya Samhita, a Kathaka e a Kapsithala kathaka Samhita.

A segunda versão, conhecida como Branca, leva o nome de Vajasaneyi Samhita cujo autor é Yajnavalkya Vajasaneyi, por isso o nome, é chamado de branco porque suas fórmulas possuem ordenação clara e sistemática, ela possui duas revisões uma da escola Madhyandina e outra da escola Kanva.

Atharva Veda - 2400 a.C.

Contém cerca de seis mil versículos sobre os mais diversos temas, mas sobretudo ensinamentos de magia e medicina popular, destinados a promover a paz, a saúde, o amor e a prosperidade material e espiritual. É o Veda dos sacerdotes do fogo Atharvan e Angiras. Os Atharvan eram sacerdotes operavam sortilégios bons, favoráveis a todas as partes, curando enfermos, protegendo contra desgraças etc. Os Angiras atuavam enviando desgraça, enfermidades aos inimigos e rivais de quem os procurassem. A revisão mais conhecida é a da escola Saunaka com 731 hinos em 20 livros com 6000 versos.


Divisões dentro de cada Veda:



Samhita


É um conjunto de hinos e rituais que formam o corpo inicial dos Vedas.


Brahmana


Explica a relação entre fórmulas e hinos que os sacerdotes murmuram durante os rituais, contém explicações sobre os rituais, mitos e narrativas cosmogônicas, antigas lendas, vestígios históricos sobre o passado da Índia e a expansão Ariana no Vale do Indo, costumes sociais, formação geográfica, etc.


Aranyaka


Os Aranyakas (livros das florestas) surgiram a partir de um pequeno grupo de iniciados que se retiraram para o silêncio das florestas em busca de outras vias de salvação e especulações filosóficas. Estes ascetas se colocaram em oposição a mecânica dos complicados ritos de sacrifício e contra a apropriação dos Brahmanas de todo o conhecimento e ato religioso. É a partir de 1900 a. C. que surge os Aranyakas e Upanishads, a literatura da tradição Aranya (da floresta), uma vez que às margens do Ganges existiam vastas florestas.


Upanishad


Foram elaborados a partir de 1500 a.C. e considerados como o mais alto ponto de especulação sobre os Vedas. São conhecidos também como Vedanta (parte final dos Vedas). Os ensinamentos principais dos Upanishads estão na afirmação da identidade do absoluto com o ser individual (Brahman - Atma).


Kalpasutra


São divididos em Shrautasutra, que codificam os sacrifícios, e os Grhyasutra, que regulamentam os sacramentos que dão valor religioso a vida individual desde o nascimento até a morte.



Era Brahmanica
- 2500 à 1500 a. C.


Neste período o conhecimento védico ficou reservado aos Brahmanes ou casta dos sacerdotes, foi a partir deste momento que as castas se tornaram fixas.

Para os pesquisadores recentes a invasão Ariana nunca existiu pois os Arianos sempre foram indianos e habitantes do Vale do Indo (como os Dravidianos), sendo o Yoga um fruto da civilização Indo-Sarasvati.

De acordo com alguns estudiosos, o fim da Era Védica foi marcada pela famosa guerra que consta no Mahabharata e que a tradição data de 3102 a.C. Isso coincide com o início do kali Yuga.

Neste período os Vedas, que já eram recitados há milênios, foram escritos em folhas de bananeiras e também algumas interpretações dos Vedas - Smriti, feitas pelos Rishis (sábios) a fim de atingirem mais facilmente o homem comum.

SMRITI

São as escrituras secundárias, temos: Dharma Shastras, os livros que codificam as leis que regulam a sociedade; Itihasa, épicos nacionais; Puranas, livros de educação religiosa popular; Agamas, tratam das tendências devocionais e Dharshanas, que apresenta as principais escolas de pensamento nascidas a partir dos Vedas.

Embora a maior parte dessas escrituras sejam posteriores a esse período preferi citar todos aqui por pertencerem ao Smriti

Dharma Shastra

São regulamentos e obrigações das castas composto pelos Brahmanes.

Precisamos entender que estes textos foram escritos pelo povo invasor proto austríaco (1800 a.C.) , como forma de dominar a sociedade Indiana. Esse povo fixou as castas, citadas conforme características pessoais nos vedas, passando eles a ser a casta dominante ou Brahmanes. Uma parte da sociedade indiana que não estava de acordo se refugiou na floresta (Aranya).

O mais antigo é de autoria do ancestral mítico da tribo Manava chamado Manu. As leis de Manu trouxeram benefícios e poderes para a casta dos Brahmanes fortalecendo seu domínio sobre a sociedade indiana. Determinava que tudo o que existe no universo é propriedade dos Brahmanes a ele não seriam cobrados tributos porque um Brahmane irado poderia apenas com a recitação de um Mantra destruir o rei e seu exercito. Aos Sudras as leis eram mais severas em penalidades, se um Sudra abusasse de uma mulher de um Brahmane, teria a propriedade confiscada e o órgão sexual cortado, se um Sudra ouvisse a recitação das escrituras Vedicas, o castigo era receber chumbo derretido em seus ouvidos e se recitasse teria língua cortada, e assim por diante; a mulher era considerada fonte de desonra, discórdia, mundanidade e deveria ser evitada e as mulheres casadas deveriam demonstrar devoção ao marido.

As leis de Manu era um forte instrumento de controle social e manutenção de poder dos Brahmanes ou povo invasor (1800 aC.).

Itihasa

São os grandes épicos da literatura Hindu. O mais significativo é o Mahabharata, composto de histórias sobre uma guerra ocorrida na Índia (3102 a.C.) entre duas linhagens Arianas em que o capítulo principal é o Bhagavadgita, ensinamentos do Avatar Krishna para Arjuna. Outro épico é o Ramayana, que descreve a vida de Rama (teria vivido por volta de 6000 a.C) e de sua esposa Sita, sendo Rama o símbolo de perfeição.

Purana

Instrumento de educação popular, tem a finalidade de imprimir na mente do povo, por meio de exemplos concretos, os ensinamentos do Veda. Descreve características e ações das divindades, detalhes sobre a criação do mundo, genealogia dos deuses, dinastias reais, especulações filosóficas, mitologias, etc.

Os Puranas estão classificados em aqueles que elevam Brahma (Brahma P., Brahmananda P., Brahmavaivarta P., Markandeya P. Bravishya P. e Vamana P.); os que elevam Vishnu (VishnuP. Padma P. Bhagavata P. Naradiya P. Garuda P. e Varaha P.) ; e os que elevam Shiva (Shiva P., Lingam P., Skanda P., Agni P., Matsya P., Kurma P.)

Agama

São as tendências devocionais que são tantas quanto os Deuses do hinduísmo. Os mais expressivos são: Shivaistas (seguidores de Shiva – renovador e disciplinador), Shaktas (adoram o principio feminino como criador e renovador), Ganaphatas (adoradores de Ganesha - conhecimento), Hanupatas ( cultuam Hanumam, discípulo perfeito), Vaishnavas ( seguidores de Vishnu – preservador), Ramaphatas ( adoradores de Rama – herói divino), Krishnaphatas ( seguidores de Krishna- devoção e amor divino) etc.

Darshana

São os pontos de vista ou escolas filosóficas nascidas do Veda que tiveram origem entre 700 a C. e 200 a C.. As quatro primeiras aceitam teóricamente o Veda mas possuem doutrinas opostas aos seus ensinamentos, as duas ultimas, Mimansa e Vedanta, aceitam literalmente a autoridade dos Vedas. Os seis Darshanas são:

1. Nyaya - origem 300 a.C. seu fundador é Gautama, autor de Nyaya Sutra, textos que falam da possibilidade de se atingir a “absoluto” através do argumento lógico e da mente racional. Nyaya significa “regra”, examinar, regras do correto pensar.

2. Vaisheshika - origem 300 a.C., fundada pelo sábio Kanada. Examina as particularidades da manifestação cósmica e pregam a noção de uma constituição atomista do mundo.

3. Samkhya - 700 a.C., fundada por Kapila. Descreve o desenvolvimento cósmico como um processo gradativo e matemático. Dois princípios, Purusha e Prakriti, interagem e criam toda a existência.

4. Yoga - 200 a.C., fundada por Patanjali, tem como base literária os Yoga Sutras que mostra os passos para se chegar a liberação. Esta escola é o clímax de um longo período de desenvolvimento das práticas de Yoga e do pensamento Védico.

5. Mimansa - 400 a.C., fundada por Jaimini, autor dos Purna Mimansa Sutras são as primeiras investigações dos Vedas no conceito de Dharma.

6. Vedanta - 200 a.C., fundada por Badarayana, é conhecida como a investigação final dos Vedas, tem como texto fundador os Brahma Sutras, escrituras que divulgam os Vedas com a mais alta revelação e propõe a doutrina do único Ser Supremo (Brahma), responsável por tudo o que existe. O mestre mais exaltado em Vedanta é Sankara (sec II a. C), pois foi graças aos Bhasyas, comentários que fez dos Brahma Sutras e de alguns Upanishads, que os Vedas foram compreendidos como um todo, como um elo de conhecimento sem contradição.



Parte dos Vedas foram escritos neste período também:



Brahmanas
- 2500 à 1500 a.C. - Hinos e rituais codificados pela casta dominante os Brahmanes. Noções matemáticas.

Arãnyakas – 2000 à 1500 a.C. - Textos de hinos e rituais para ascetas que viviam nas florestas.

Shulba-Sutras – 1800 a.C. - Codificação matemáticas (usadas em altares que se relacionavam simbolicamente com a estrutura do macrocosmo).



Era pós Vedica ou Upanishadica -
1500 à 1000 a.C.


Os Upanishads são o resultado de muita investigação a respeito de “Quem sou Eu”, é ponto mais alto dos Vedas. O conhecimento dos Upanishads destrói a ignorância , a semente do Samsara.

O termo Upanishad deriva das palavras sânscritas upa ("perto"), ni ("embaixo") e shad ("sentar"), representando o ato de sentar-se no chão, próximo a um mestre espiritual, para receber instrução. São respostas a discipulos muito bem preparados, em que a resposta a uma pergunta apenas elimina toda a ignorância e leva a liberação – Moksha.

O Upanishad mais antigo é Brhadaranyaka onde o caminho meditativo esta ainda ligado a conceitos sacrificiais, também especulações sobre a origem do mundo, nascido do ser uno que se dividiu em dois, masculino e feminino, criando assim todo o cosmo. Este ser uno é o objetivo final do homem.

Outras Upanishads deste periodo foram: Chandogya Upanishad, Aitareya Upanishad, kausitaki Upanishad, Kheno Upanishad.

Foram descritas 108 Upanishads onde 10 são as mais importantes: Isvara Upanishad(quem é Ishvara?), Kheno Upanishad (quem move o mundo?), Katha Upanishad (a morte como mestre?), Chandogya Upanishad ( canção e sacrificio), Aitareya Upanishad (o microcosmo no homem), Manduka Upanishad (modos de conhecimento), Kaivalya Upanishad(modos de liberação), Prasna Upanishad (alento da vida), Taittiriya Upanishad (discursos sobre a vida e a liberação), Brhadaranyaka Upanishad.



Era pré Clássica ou Épica
- 1000 a 100 a.C.


Épicos:


Mahabharatha - Vyasa (3102 a.C.) Redação final por volta de 600 a.C.

Ramayana - Valmike (4300 a.C.) Redação posterior ao Mahabharata



Alguns Puranas:



Leis de Manu
- (676 a.C.) Códigos de leis criados pelo povo dominante - Ver em Dharma Shastras

Era Clássica - 100 aC, à 500 d.C.

Yoga Sutras - Patanjali - 200 a.C.

Brahma Sutra - de Bãdarãyana

Samkhya - Kapila - 700 a.C.

Budismo Mahayana - 700 d.C.

Vedanta de Sankara - 200 a.C. - (Bhasyas dos Brahmas Sutras e de 10 Upanishads)

Era Tantrica e Purânica - 500 à 1300 d.C.

Puranas - baseados em Puranas da Era Védica.

É falado que o Tantra é anterior aos Vedas e que tem 10.000 anos de existência. O período entre 1500 e a época de Buda foi reconhecido como o “Séculos das trevas” por falta de material histórico, provavelmente porque o Tantra foi marginalizado pelo povo invasor. Assim o Yoga e o Tantra desenvolveu-se nos círculos não Brahmânicos as margens da sociedade.



Obras do Tantra e do Hatha Yoga:


Goraksha Samhita - Goraksha - 500 a 1000 d.C.

Hatha Yoga - Goraksha - 500 a 1000 d.C. (obra perdida)

Yogakundalini Upanishad - Hatha Yoga e Kundalini Yoga

Yogacudamani Upanishad (retirados do Goraksha Sanhita )

Yogatattva Upanishad (Kundalini Yoga e Nada Yoga)

Hatha Yoga Pradipika - Svatmarama (séc XIV d. C.)

Gheranda Samhita - sec. XVII

Shiva Samhita - sec XVII

Yoga Yjnavalkya -

Tantra Sastras - 400 à 1200 d.C.-



O Tantra é mais que apenas uma coleção de técnicas de Yoga e meditação. É o esforço para lutar contra todos os obstáculos e avançar a partir do imperfeição para o perfeição, do estado de limitação a liberação final em vida - Jiva mukta.

Nas sociedades matriarcais (do vale do Hindu), que deram origem ao tantrismo hindu, não existem grandes diferenças entre o homem e a mulher ou corpo e espírito. O Tantra vê no corpo humano um templo vivente sem distinção entre carne e espírito. Tudo interage naturalmente em perfeita harmonia inclusive a sexualidade.



Referências:


Feuerstein, Georg - A tradição do Yoga

Feuerstein, Georg - Manual de Ioga

Zimmer, Heinrich - Filosofias da Índia

Zimmer, Heinrich - Mitos e símbolos na Arte e civilização da Índia

Saraswati, Aghorananda - Mitologia Hindu

Tradição Védica

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Foto de satélite revela a ponte construída por Rama, mencionada no Ramayana.